Como a Pandemia de COVID-19 afetou a produção de vinho de pequenos e médios produtores

A Pandemia de Covid-19 tem virado as nossas vidas do avesso, todos nós sentimos de certa forma de “pernas para o ar” em relação a estas medidas que nos têm afetado a todos.

As grandes empresas foram certamente afetadas, mas foram as pequenas e médias empresas, indispensáveis para a economia portuguesa, que mais têm sofrido com os impactos da pandemia.

Os pequenos e médios produtores de vinho são um exemplo claro desta situação, ainda que tenham no seu negócio aspectos únicos, por ser um setor ligado ao ambiente agrícola. Assim, o seu sucesso depende de outras características, como por exemplo se o ano foi bom em termos de sol e temperatura, ou se as chuvas de Verão afetaram a qualidade da vinha?

O que mudou então?

Deixámos de poder juntar família e amigos e “brindar” com os nossos vinhos em festas e “jantaradas”. O turismo estrangeiro diminuiu e por consequência disto, a procura por restaurantes, hotéis e locais de restauração e divertimento no geral diminuiu consideravelmente. Logicamente que este facto criou uma diminuição na procura por vinho, numa altura em que a oferta ainda poderia ser grande.

Notícias mais otimistas falam de um aumento considerável de compra de vinho online durante os meses de Março e Abril, durante o primeiro confinamento geral. Poder-se-á dizer que a pandemia então até tem contribuído para que os apreciadores de vinho consigam ter acesso e disponham de mais tempo para descobrir novos rótulos e produtores nacionais que antes não conheciam.

A propósito ainda desta situação, um estudo Europeu de Maio de 2020, ou seja “feito em plena Pandemia e após o confinamento” (mais propriamente feito à base de um inquérito que decorreu entre 17 de Abril e 10 de Maio, tendo por base 6.600 respostas obtidas até 30 de Abril), concluiu que o consumo de vinho teve um aumento acentuado durante a pandemia e essencialmente em países do Sul da Europa, nos maiores produtores de vinho Europeus sendo o caso de Espanha, França, Itália e Portugal. Em contrapartida, o consumo de bebidas espirituosas e de cervejas diminuiu.

Este estudo concluiu que o consumo de vinho aumentou essencialmente nas classes etárias entre os 30-50 anos e um pouco menos nos jovens e que os supermercados foram durante o confinamento o principal local de aquisição de vinhos, enquanto que as garrafeiras pessoais se tornaram a segunda fonte de abastecimento mais importante.

Os Clubes de Vinho e as vendas digitais

Focando-nos mais agora no caso dos Clubes de Vinho onde o Castas da Vida se insere, o estudo concluiu que a maioria de 80% dos inquiridos disse não ter utilizado a opção de compra online, mas por outro lado, 8,3 % dos Italianos, 6,6% dos Espanhóis, 5,2% dos Portugueses e 4,6% dos Franceses compraram vinhos pela primeira vez via internet e verificou-se ainda, durante este período, a “explosão do fenómeno das provas / degustações digitais”.

Outro aspeto muito importante e positivo que este estudo revelou, especialmente para os pequenos e médios produtores é o de que 70% dos inquiridos consideram que é necessário favorecer a compra de vinho local. Portanto, neste período de crise, parece demonstrar a preferência dos consumidores por produtos locais. Dizemos ainda bem pois é um importante fator que potencia a divulgação dos produtos dos pequenos e médios produtores.

Por fim os autores deste estudo ainda prevêem que o”elevado consumo de vinho em stocks pessoais” poderá conduzir a uma retoma nas compras de vinhos mais caros (Vinhos de guarda), no curto prazo.

O exemplo da CVRA

Outra boa notícia foi que, recentemente a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) criou uma feira digital de vinhos para divulgar vinhos do Alentejo, de todo o tipo de produtores, no fundo, esta é uma solução para “apoiar os produtores e promover o aumento de vendas de vinhos do Alentejo a nível nacional”. Esta iniciativa assim visa apoiar tanto pequenos como grandes produtores do Alentejo.

Com estes dados, já podemos ter uma ideia da situação atual do mundo do vinho, que tanto afeta pequenos como grandes produtores. E ainda (mais importante que tudo), a forma como este setor se tem adaptado a estas circunstâncias de Pandemia, tendo até como vimos, vindo a tirar bons proveitos desta situação, no que toca à divulgação e compra destes produtos, principalmente dos pequenos e médios produtores.

No que nos toca, aqui no Castas da Vida queremos fazer a nossa parte e dar a conhecer estes produtores que tão bem tratam do que é seu. Os que cuidam das suas vinhas com amor e carinho, o que torna estes vinhos excepcionais e únicos, merecendo a atenção de todos os que gostam de vinho.

Saúde! 

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