Pratos Tradicionais Portugueses para acompanhar a seleção de vinhos de Dezembro

A gastronomia tradicional portuguesa tem muito que se lhe diga. A grande variedade de pratos tradicionais do Norte ao Sul do país demonstra essa diversidade ímpar, com diferentes influências culturais, históricas e geográficas que cada zona do país tem.

Uma só região contém pratos diferentes consoante as diferentes estações do ano. No Verão tipicamente existem as receitas “leves”, mais à base de legumes e vegetais, como é o caso por exemplo dos Gaspachos no Alentejo. Por outro lado, nesta região no Inverno em geral aposta-se em pratos mais “pesados” à base de carnes, sopas ou alguns peixes e mariscos.

Geralmente a nossa gastronomia enquadra-se na chamada Dieta Mediterrânica, característica dos países que são banhados pelo Mar Mediterrâneo ou que apresentem um clima tipicamente de características mediterrânicas ou clima de verão seco: invernos chuvosos e verões secos, muito presentes nas costas ocidentais dos continentes, entre 30 e 50 graus de latitude norte e entre 30 e 40 graus de latitude sul da linha do Equador. Para além da bacia do Mediterrâneo, há outros pontos do planeta em que predomina este tipo de clima, como por exemplo em Adelaide, Cidade do Cabo, Casablanca, Los Angeles, Perth, São Francisco ou Santiago do Chile.

Do ponto de vista alimentar, caracteriza-se pelo consumo de produtos frescos, produzidos localmente, e que seguem as estações do ano. A riqueza nutricional desta dieta provém do consumo dos produtos em sintonia com os ciclos da natureza, promovendo a utilização de grande variedade de leguminosas, hortícolas, frutos secos e frutas diversas de acordo com as estações do ano.

Acompanhados pelo tempo frio e chuvoso aqui em vésperas de Natal, vamos dar-lhe a conhecer algumas receitas de alguns pratos tipicamente portugueses, verdadeiros aconchegos para fazer no conforto da sua casa, sempre acompanhados com um dos vinhos da nossa selecção!

 

Alentejo

A deliciosa gastronomia alentejana reflete as influências culturais dos povos que aqui passaram e se estabeleceram ao longo dos tempos, principalmente civilizações mediterrânicas, como foi o caso dos Romanos, Árabes e Judeus. A título de curiosidade, estudos demonstram que cerca de 80 % dos pratos utilizados na cozinha Alentejana são de origem árabe. A açorda é disso exemplo, por ser muito semelhante às “Tharid” ou “Thurdas”, muito consumidas em países do Norte de África, nomeadamente Marrocos, Argélia ou Tunísia.

A variedade é grande, mesmo dentro de cada região. Desde o peixe e marisco da Costa Alentejana, com o qual se cozinha as fantásticas massadas de peixe, passando também pelos peixes de rio vindos do Rio Guadiana, como é o exemplo do “cação”, que serve de base para a sopa com o seu nome, um prato “único” muito característico do Alentejo.

Aposta-se muito também nas carnes de borrego e nomeadamente de porco preto, que é um suíno originário e muito característico daqui. Delas são feitas os famosos ensopados de borrego ou os secretos e plumas de porco preto, acompanhados muitas vezes com migas alentejanas. Estas são outra parte essencial na cozinha Alentejana, já que normalmente alinham ao lado de muitas outras receitas. São feitas essencialmente à base de pão e de alho, podendo-se juntar espargos, enchidos ou outro tipo de carnes e legumes.

Durante a época Natalícia aposta.se muito no Peru recheado com enchidos e outras carnes alentejanas. Experimentem acompanhar com uma garrafa de “Alento Reserva” ou uma de “Alcunha” e vejam se não é perfeito.. Ou isso ou vão pelo bacalhau, que tem vindo a ser cada vez mais adotado pelos alentejanos nesta altura do ano. Será um bom match na mesma.

A nossa edição especial deste mês, o Grande Escolha by Paulo Laureano, combina muito bem com pratos de carne, e assim de repente vem-nos à cabeça um piano no forno, acompanhado de migas e/ou batata assada. Decantem o vinho e acho que não vão querer sair da mesa durante umas boas horas...

 

Lisboa

Na antiga província da Estremadura e atual região Oeste está a denominada região dos Vinhos de Lisboa, zona com belíssimas praias, campo e espetaculares serras com paisagens de perder o fôlego. A gastronomia desta região faz “juz” à exclusividade deste território de contrastes, com fantásticos produtos vindos da terra e do mar, que consequentemente dão origem a deliciosos pratos!
Do Mar, existe a deliciosa caldeirada à moda da Nazaré, feita essencialmente à base de sardinhas, lulas, safio, cantaril e raia. Há também a fantástica salada de bacalhau assado com pimentos, toda ela muito bem temperada!

Do campo destacamos o delicioso frango na púcara, muito característico da zona de Alcobaça. Aqui o frango é muito bem temperado com sal, azeite, pimenta finalizando-se com farinha! Ou então uma cachola de porco e arroz de matança, um prato de carne que consiste em língua, coração e entrecosto de porco, temperados com vinagre e molho de carne!

O “Adega Belém, Reserva” é um excelente acompanhante de carnes vermelhas e de queijos, e cai muito bem com os pratos típicos do Oeste de que falamos em cima, principalmente com os feitos à base de carne.

Mas atenção: abram uma garrafa quando servirem um bacalhau cozido com couve Portuguesa enriquecido com grão e cenoura cozidos ou um cabrito assado no forno, ambos muito consumidos pelo Natal nesta região, e vão ver todo o potencial deste vinho.

 

Tejo

Na Região Demarcada do Tejo, onde se enquadra a região do Ribatejo e a maior parte do Distrito de Santarém, produzem-se também pratos fantásticos e singulares. Veja-se o exemplo da sopa da pedra, típica de Almeirim, mesmo no coração do Ribatejo.

Graças à riqueza dos produtos tipicamente Ribatejanos, a gastronomia local é “farta” e diversificada, com vários pratos tradicionais, onde para além da sopa da pedra, destacam-se também as filhoses ribatejanas, as migas de pão (com semelhanças com as do Alentejo) e as migas de milho (estas únicas do Ribatejo devido aos extensos campos de milho da lezíria Ribatejana).

Apesar desta região não ter contacto direto com o mar, consome-se também muito peixe. Principalmente peixe de rio, tal como no Alentejo interior. É disto o exemplo a “fataça assada na telha” que no fundo é um prato cuja base consiste numa tainha pescada na zona ribeirinha do Tejo.

Uma das escolhas deste mês, o Escaravelho Ineditus, tem um carácter forte e expressivo e é um excelente acompanhante de todo o tipo de carnes gordas, assados e grelhados. Abram uma garrafa enquanto comem um cabrito assado no forno, com batatinhas assadas, bem à moda dos Ribatejo e vão perceber. Ou então invistam num chispe com feijão Branco, prato delicioso e “único” desta região e até algo peculiar por ser feito à base de pés de porco, aos quais se junta feijão branco demolhado de véspera e que é cozido com chouriço de sangue, chouriço de carne, toucinho, orelha e pé de porco.

 

Douro

Seguimos para norte e escolha é grande.
Podemos por começar a destacar a famosa bola de Lamego, nada mais nada menos que uma massa fofa, parecida com pão, que pode levar os mais diversos recheios: presunto, salpicão, carne, fiambre ou mesmo bacalhau.

Pensaríamos que sendo esta uma região do interior de Portugal com um terreno montanhoso, inevitavelmente a sua gastronomia iria centrar-se mais nas carnes e não tanto no peixe. Mas não: as saborosas trutas pescadas no rio Douro e nos seus afluentes, repousadas em vinagre depois de pescadas e seguidamente fritas em azeite são uma iguaria especial!

Os pratos da região são acompanhados de produtos locais, com é o caso das castanhas que acompanham típicos pratos de carne de porco. O cabrito assado faz também parte da mesa duriense, normalmente assado em forno de lenha, este é normalmente acompanhado de arroz e batatas.

No Douro aposta-se também em receitas de caça, como é o caso do javali estufado, perdiz assada no espeto, lebre, coelho bravo com míscaros e ainda o cozido à portuguesa ou a famosa posta à mirandesa.

Neste Natal abram um Quinta Alta Reserva da nossa selecção enquanto estiverem de volta de um bacalhau ou polvo cozido, ambos servido com ovo, batata e couve portuguesa cozida. Mas mesmo acompanhando um leitão, borrego ou peru assado perceberão que o “Quinta Alta Reserva Branco” é o aliado certo.

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